PL 1688/2025 fortalece debate sobre reconhecimento, organização sindical e dos Oficiais de Justiça.

Proposta reconhece a natureza específica e estratégica da atividade, aborda a representação sindical da categoria e prevê diretrizes de proteção institucional. Apresentado há mais de quinze meses, o projeto ainda aguarda despacho da Presidência da Câmara.

O trabalho dos Oficiais de Justiça é uma etapa indispensável da prestação jurisdicional.

São esses profissionais que transformam determinações judiciais em medidas concretas, atuando diretamente com as partes e com a sociedade em situações que frequentemente exigem conhecimento técnico, capacidade de mediação, responsabilidade e exposição a riscos.

O Projeto de Lei 1688/2025 pretende conferir reconhecimento jurídico a essa realidade. A proposta reúne temas relevantes para a identidade profissional, a organização coletiva, a proteção institucional e a valorização dos Oficiais de Justiça.

Reconhecimento de uma atividade específica e complexa

O PL busca reconhecer os Oficiais de Justiça como categoria profissional de natureza específica e complexa, integrada ao núcleo essencial da atividade jurisdicional. O texto também caracteriza o exercício das atribuições como atividade estratégica, diretamente relacionada à concretização das decisões judiciais e à efetividade do acesso à Justiça.

Esse reconhecimento é importante porque evidencia que o cumprimento de mandados não constitui uma tarefa meramente operacional. A função demanda formação técnico-jurídica, discernimento, capacidade de comunicação, gerenciamento de conflitos e tomada de decisões em ambientes muitas vezes imprevisíveis.

Reconhecer a natureza da atividade é também reconhecer a importância do profissional que representa a presença concreta do Poder Judiciário perante o cidadão.

Organização sindical voltada às necessidades da categoria

Um dos pontos centrais do PL 1688/2025 é a proposta de reconhecimento dos Oficiais de Justiça como categoria profissional diferenciada para efeitos legais, inclusive quanto à organização sindical específica.

Os Oficiais de Justiça atuam nos diferentes ramos e órgãos do Judiciário, mas compartilham atribuições, riscos e desafios profissionais próprios. Uma representação coletiva identificada com essa realidade pode ampliar a capacidade de formular propostas, produzir dados, defender condições adequadas de trabalho e dialogar com os tribunais e com o Poder Legislativo.

O projeto também busca assegurar os direitos previstos na Convenção nº 151 da Organização Internacional do Trabalho, com destaque para a liberdade de associação e de representação sindical no serviço público.

Como o projeto ainda está no início de sua tramitação, o alcance jurídico dessas disposições deverá ser examinado pelas comissões competentes. A importância da proposta está justamente em abrir, no Parlamento, um debate específico sobre a identidade coletiva e a representação dos Oficiais de Justiça.

Proteção institucional e condições de trabalho

O texto atribui ao Conselho Nacional de Justiça, no âmbito de sua competência constitucional, a regulamentação de diretrizes de observância pelos órgãos do Poder Judiciário, voltadas à uniformização das condições de trabalho e à proteção institucional dos Oficiais de Justiça. Esse ponto dialoga com problemas enfrentados cotidianamente pela categoria: cumprimento de mandados sem apoio adequado, exposição a ameaças e agressões, utilização de recursos próprios e diferenças significativas de estrutura entre tribunais e regiões do país.

A previsão de diretrizes nacionais reforça a necessidade de tratar segurança e condições de trabalho como componentes da efetividade da Justiça, e não como questões individuais de cada servidor.

Valorização de quem concretiza as decisões judiciais

O PL reconhece o Oficial de Justiça como agente indispensável à concretização prática das decisões judiciais e ao pleno exercício do direito de acesso à Justiça.

Esse reconhecimento contribui para combater a invisibilidade institucional que muitas vezes cerca o cumprimento de mandados. Intimações, penhoras, buscas e apreensões, reintegrações de posse, medidas protetivas e outras ordens judiciais dependem da atuação qualificada desses profissionais.

Valorizar os Oficiais de Justiça não significa criar privilégios. Significa reconhecer a complexidade, a responsabilidade, os riscos e a relevância social de uma função sem a qual inúmeras decisões permaneceriam apenas no papel.

Um projeto aberto ao debate e ao aperfeiçoamento

Como toda proposição legislativa, o PL 1688/2025 deverá ser submetido à análise de mérito, constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. O texto poderá receber emendas, substitutivos e outras contribuições durante a tramitação.

Eventuais divergências não eliminam a importância do tema. Ao contrário, demonstram a necessidade de que o projeto seja encaminhado às comissões e debatido de maneira transparente, com participação dos parlamentares, das entidades representativas e dos próprios Oficiais de Justiça.

Mais de quinze meses à espera de despacho

O projeto foi apresentado em 14 de abril de 2025. Em consulta realizada em 5 de agosto de 2026, a ficha da Câmara dos Deputados ainda registrava a situação “Aguardando Despacho do Presidente da Câmara dos Deputados”, tendo como única movimentação a apresentação da proposta.

Sem o despacho, o projeto não é encaminhado às comissões e o debate sobre seu conteúdo não avança.

O SINDOJAF – UniOficiais/BR cobra do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta, o despacho do PL 1688/2025 às comissões competentes.

O pedido não é de aprovação automática. É para que o Parlamento cumpra seu papel de examinar, debater e aperfeiçoar uma proposta que trata de reconhecimento jurídico, organização sindical, proteção institucional e valorização de uma categoria essencial à Justiça.

Presidente Hugo Motta, despache o PL 1688/2025! Os Oficiais de Justiça merecem que essa pauta seja examinada pelo Congresso Nacional.

O SINDOJAF – UniOficiais/BR conclama a categoria e todas as entidades representativas a ampliarem a mobilização pelo despacho do projeto.

Como participar:

1) Compartilhe as publicações sobre o PL 1688/2025.

2) Marque deputados e lideranças partidárias, solicitando apoio ao despacho.

3) Dados que fortalecem a valorização. Oficiais de Justiça que tenham enfrentado ameaça, agressão ou outra situação de risco no cumprimento de mandado podem registrar a ocorrência na plataforma Argos, em argos.unioficiais.org.br

Cada registro contribui para demonstrar a realidade da atividade e qualificar a atuação institucional do SINDOJAF – UniOficiais/BR junto ao Congresso Nacional e aos órgãos do Poder Judiciário.

Reconhecimento, organização e valorização caminham juntos.