Na labuta de Oficial,
Tem história de arrepiar.
Tem sol quente, tem poeirão,
Tem estrada pra enfrentar.
E quando a gente chega:
“Seu fulano está por cá?”
O cabra olha e responde:
“Oxente, doutor… foi viajar!”
Tem endereço sem número,
Tem número sem direção,
Tem cachorro atentado,
Tem vizinho em confusão.
E depois de andar um mundo,
Subir ladeira e descer chão,
O cabra diz: “Doutor, desculpe…
Aqui só mora meu irmão!”
Mas existe um mandado
Que é diferente dos demais:
Não depende de endereço,
Nem de porteiro ou oficiais.
É o mandado de ser pai,
Que não tem hora nem plantão;
Pode estar longe dos filhos,
Mas eles moram no coração.
Esse não aceita “não encontrado”,
Nem cabe redistribuição!
Pode a estrada ser comprida,
Pode o serviço aperrear,
Pode o pai estar bem distante,
Sem poder os filhos abraçar.
Mas filho é feito lembrança
Que ninguém consegue apagar:
É morar dentro do peito,
Mesmo quando a gente não está.
E se um dia, lá na frente,
A vida nos fizer parar,
Quando os cabelos forem brancos
E a saudade apertar,
Que nossos filhos possam dizer,
Com orgulho, ao recordar:
“Meu pai cumpriu muitos mandados…
Mas o maior foi me amar.”
FELIZ DIAS DOS PAIS!!
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